segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Perseguições Contra a Igreja Cristã Primitiva

 

Perseguições Contra a

Igreja Cristã Primitiva

 

Introdução:

Desde do Antigo Testamento vemos perseguições contra o povo de Deus; De início temos o ímpio Caim matando o justo Abel (Gn 4); Vemos a trama de Faraó para minguar o povo de Israel (Ex 1); Dentre tantos outros exemplos que poderíamos mencionar, temos o furioso Hamã querendo destruir o povo judeu através de um decreto (Et 3); E até os dias de hoje muitas nações desejam a destruição de Israel.

                                                                       Assista o vídeo:

                                                                         

1.Novo Testamento: 

1°Esta perseguição contra os judeus também ocorreu contra os cristãos, iniciando com o Senhor Jesus Cristo que ainda sendo um bebê já buscavam a sua morte (Mt 2).

Já no início de seu ministério o Senhor Jesus consolou seus discípulos acerca das perseguições (Mt 5.10); O Senhor também menciona um outro tipo de perseguição como injúrias, maus tratos e calúnias (Mt 5.11)

O Senhor Jesus nos ensinou como devemos reagir aos nossos ofensores (Mt 5.43-48); E Ele mesmo nos deu o exemplo quando foi preso (Mt 26.47-56), quando estava diante das autoridades religiosas (Mt 26.57-68), quando compareceu diante das autoridades civis (Mt 27.11-31) e quando estava pendurado no madeiro até a sua morte (Mt 27.32-56)

Mas para a nossa alegria, no terceiro dia Cristo ressuscitou e está vivo para todo o sempre (Ap 1.17-18), apareceu aos seus discípulos e os ordenou a buscarem o revestimento de poder (Lc 24.49) para que pregassem o seu evangelho à todo o mundo e à todas as pessoas (Mt 28.18-20); (Mc 16.15-16); (At 1.8)   

À partir daí, os discípulos começam a pregar o evangelho e iniciam-se as perseguições:

2° Os fariseus e Saduceus começam a perseguir os discípulos (Atos 4-5)

3° Morre o 1°Mártir Cristão – Estevão (Atos 7)

4° Saulo de Tarso insurge-se contra a Igreja de Cristo (Atos 8), até que se Cristo lhe aparece (Atos 9)

5° Os judeus começam a perseguir Paulo (Atos 9.19-31) e se expande por todo livro de Atos.

Herodes se levantou contra a Igreja de Cristo (Atos 12)

7° Em 51 d.c houve uma perseguição liderada pelo imperador Cláudio, que também acabou afetando alguns cristãos - Atos 18.1-2. Priscila e Áquila foram expulsos de Roma nessa perseguição. O historiador romano Suetônio registrou que essa expulsão de Roma se deu por causa de alguns “judeus” que estavam pregando sobre Cristo e causando “distúrbios” na cidade.

8° Em 57 d.c Paulo é preso em Jerusalém por causa de um motim contra ele (At 21), após apresentar várias defesas, apelou para César (Atos 25-26)

9° Em 60 d.C. Paulo vai à Roma e é preso pela primeira vez, nesta escreve as cartas da prisão (Efésios/ Filipenses / Colossenses/ Filemon)

10° Em 63 d.c. Paulo é solto e possivelmente fez uma viagem à Espanha (Clemente de Roma registrou uma ida de Paulo para pregar na Espanha).

11° Em 64 d.c: A primeira grande perseguição imperial foi realizada por Nero entre 64 e 68 d.C. Ele já imperava desde 54 d.c; Em 18 de Julho de 64 d.C., Nero (considerado o pior imperador de Roma, tendo matado até sua própria mãe) decidiu, sob o desejo de construir uma nova Roma, incendiar antiga cidade, que teve 10 dos 14 bairros queimados.

Quando o fogo se apagou, Nero, aproveitando-se do fato de que a maioria da população dos bairros sobreviventes era judaica e cristã, colocou sobre eles a culpa do incêndio. Isso fez com que aumentasse a ira dos romanos sobre o Judeus

Nero se deu ao luxo de presenciar o incêndio da cidade da torre de Mecenas, vestido de ator, acompanhado de sua loucura enquanto cantava uma música sobre o antigo incêndio de Tróia.

Nero, a partir de então, iniciou uma perseguição terrível contra os cristãos. Tácito registra que “Alguns foram vestidos com peles de animais e perseguidos por cães até serem mortos; outros crucificados; outros incendiados ao pôr-do-sol, para que pudessem servir de iluminação à noite”. Essa foi a primeira das dez grandes perseguições que continuaram, quase que sem interrupções, durante três séculos.

12° Em 66 d.C. Paulo sofre sua segunda prisão em Roma

13° Em 67-68 d.C. Paulo é sofre o Martírio por Nero.

2.Os Motivos das perseguições (Acusações contra os crentes)

A principal causa do ódio contra os cristãos primitivos na sociedade romana residia em seu estilo de vida diferenciado. “Temos a reputação”, escreveu Tertuliano em Apologia, “de viver de forma contrária às multidões”. O termo utilizado para descrever os cristãos no Novo Testamento é bastante significativo: trata-se da palavra hagios, frequentemente traduzida como santos. Apesar de significar santos, sua raiz sugere diferentes. Assim, uma coisa santa é diferente das outras coisas; o templo é santo porque é diferente de outros edifícios; o sábado é santo porque é diferente dos outros dias. O cristão, portanto, é uma pessoa fundamentalmente diferente das demais. Os homens sempre olham com suspeita para aqueles que são diferentes.

Assim, simplesmente por viverem de acordo com os ensinamentos de Jesus, os cristãos condenavam de forma velada e constante o modo pagão de viver. Mas isso não significa que eles viviam criticando, condenando e desaprovando a sociedade, tampouco que se consideravam moralistas ou superiores, mas sim que a ética cristã em si era uma crítica à vida pagã.

A) O Paganismo em suas práticas aceitava as novas formas e objetos de adoração que iam surgindo, enquanto o Cristianismo rejeitava qualquer forma ou objeto de adoração.

A rejeição dos deuses pagãos era fundamental ao estilo de vida cristão e a causa de intermináveis hostilidades. Gregos e romanos tinham divindades para cada aspecto da vida: para a semeadura e a colheita, o vento e a chuva, os vulcões e os rios, o nascimento e a morte. Para os cristãos, entretanto, esses deuses equivaliam a nada, e tal mentalidade resultava em os seguidores de Jesus sendo rotulados como “inimigos da raça humana”.

Os cristãos eram acusados de ateísmo. A acusação surgiu do fato de que muitos no império não conseguiam entender a adoração sem imagens — o monoteísmo não atraía tais pessoas. Como consequência, elas culpavam os cristãos por insultar os deuses do Estado. Os deuses pagãos eram considerados patronos que dispensavam benevolência às cidades, então, como ato de lealdade, os cidadãos de boa reputação participavam de várias festas cívicas homenageando algum deus. Os bons pagãos poderiam até ser especialmente leais a um dos deuses, mas veneravam todos eles. Os cristãos não os reverenciavam e, portanto, pareciam desleais aos olhos de seus vizinhos pagãos. Segundo a crença popular, a negligência aos deuses desencadeava catástrofes.

B) A adoração aos ídolos estava entrelaçada com todos os aspectos da vida. As imagens eram encontradas em todos os lares, e até em cerimônias cívicas, para serem adoradas. Os cristãos, é claro, não participavam dessas formas de adoração. Por essa razão o povo considera os cristãos como “Anti-social” e ateus que não tinham deuses.

Simplesmente não era possível rejeitar os deuses sem suscitar desprezo da sociedade. Para os pagãos, cada refeição começava com uma oferta de líquido e uma oração aos deuses, mas os cristãos não podiam tomar parte disso. Banquetes e festas sociais eram realizados nos precintos de um templo após o sacrifício, e o convite costumava ser para comer “à mesa” de algum deus, mas os cristãos não podiam ir a uma festa dessas. Inevitavelmente, ao recusar o convite para alguma ocasião social, o cristão passava a impressão de ser rude, grosseiro e indelicado

Outros eventos sociais eram rejeitados pelos cristãos por serem considerados errados em si — combates de gladiadores, por exemplo, eram desumanos para os cristãos. Em anfiteatros por todo o império, os romanos forçavam os prisioneiros de guerra e os escravos a lutar entre si até a morte apenas para entreter a multidão, um espetáculo que excitava e atraía.

O medo que os cristãos tinham de cometer o pecado da idolatria também gerou dificuldades em seu sustento próprio. Era possível que o construtor se envolvesse na construção das paredes de um templo pagão, que o alfaiate viesse a costurar túnicas para um sacerdote pagão ou que o fabricante de incensos acabasse produzindo incenso para sacrifícios pagãos. Tertuliano proibia até mesmo que os cristãos fossem professores, porque o ensino exigia o uso de livros que contavam as antigas histórias dos deuses e instruíam a observância das festas religiosas do ano pagão.

Poderíamos pensar que talvez o trabalho com doentes fosse um simples ato de bondade, no entanto, os hospitais pagãos contavam com a proteção do deus pagão Asclépio, e enquanto o doente estava na cama, um sacerdote andava pelo corredor entoando cânticos a esse deus.

Em suma, os cristãos primitivos eram quase obrigados a divorciar-se da vida social e econômica da época caso desejassem ser fiéis ao seu Senhor, o que significava que, por onde quer que fossem, sua vida e fé se destacavam porque o evangelho introduzia uma nova e revolucionária atitude para com a vida humana.

C) A adoração ao Imperador era considerada como prova de lealdade. Havia estátuas dos imperadores reinantes nos lugares mais visíveis para o povo adorar. Os cristãos recusavam-se a prestar tal adoração.

O imperador Décio (249-251) deu mais um passo importante na questão da perseguição. O culto a César passou a ser universal e obrigatório para todas as raças e nações dentro do império, com a única exceção dos judeus. Em determinado dia do ano, todos os cidadãos romanos tinham de ir até o templo de César, queimar um incenso e declarar: “César é senhor”. Tendo feito isso, recebiam um certificado de garantia. Após queimar o incenso e reconhecer César como senhor, o cidadão podia ir embora e adorar qualquer deus que desejasse, contanto que a adoração não afetasse a decência e a ordem pública.

Assim, vemos que o culto a César era, sobretudo, um teste de lealdade política; era um teste para saber se o indivíduo era um bom cidadão. Caso se recusasse a realizar a cerimônia de reconhecimento de César, era automaticamente marcado como traidor e revolucionário. A exaltação do imperador, portanto, gerou um problema para os cristãos, pois estes não deixavam de orar pelo imperador em suas reuniões, mas se recusavam a orar para ele, quer em particular, quer em público.

Acadêmicos estudaram as moedas romanas e descobriram uma semelhança impressionante entre os louvores que os cristãos ofereciam em adoração a Cristo e a adulação que os cidadãos romanos direcionavam ao imperador reinante. As moedas, que costumavam celebrar as bênçãos que o imperador traria ao mundo, anunciavam seu reinado da seguinte maneira: “Salve, senhor da terra, invencível, poder, glória, honra, bendito, grande, digno és tu de herdar o reino”.

D) As reuniões secretas dos cristãos despertaram suspeitas. De praticarem atos imorais e criminosos, durante a celebração da Santa Ceia, eram vetada a entrada dos estranhos.

Orgias: A suspeita de que as reuniões cristãs fossem orgias sexuais e disfarces para todo tipo de crime tomou conta da imaginação popular com uma força terrível. Essas graves acusações provavelmente surgiram de um fato característico da natureza humana: o segredo gera desconfiança. Quando descobriu que não podia participar dos cultos cristãos, o povo simplesmente deu asas à imaginação, passando de rumores a ódio. Os cristãos foram acusados de uma série de práticas, mas, na maioria das vezes, de pecados sexuais e de canibalismo. A acusação de tamanha imoralidade originou-se do fato de que uma das reuniões cristãs chamava-se Ágape, a festa do amor, e também do santo ósculo da paz que os cristãos davam uns nos outros. O beijo acabou se tornando tão suscetível a ofensas que as igrejas abandonaram a prática quase por completo.

Canibalismo: A acusação de canibalismo provavelmente teve início porque a ceia era praticada em segredo. Os pagãos não sabiam o que acontecia nessas reuniões fechadas, mas ouviram dizer que alguém era comido. Na última ceia, Jesus dissera: “Este pão é meu corpo. Este cálice é meu sangue.” Os pagãos concluíram que os cristãos deveriam estar comendo carne humana e bebendo sangue humano.

E) O Cristianismo considerava todos os homens iguais. Não havia distinção entre seus membros, nem em suas reuniões, por isso foram considerados como " niveladores da sociedade ", portanto anarquistas, perturbadores da ordem social.

A escravidão tomou a sociedade romana como um câncer, e o escravo, fosse homem ou mulher, estava sempre à disposição de seu senhor para as tarefas mais subalternas. Caso não o satisfizesse, poderia ser descartado ou até mesmo abatido como um animal sem valor. Nesse tipo de sociedade, alguns cristãos também tinham escravos, mas os tratavam com bondade e permitiam que tivessem os mesmos direitos dentro da igreja — um ex-escravo, Calisto, tornou-se bispo de Roma.

3.As 10 Principais Perseguições

Principais acontecimentos das Dez Perseguições

1. Imperador Nero - 64 d.C.

a. Pedro e Paulo foram martirizados nessa perseguição

b. Praticamente nessa mesma época iniciava o cerco de Jerusalém (66 d.C.). Em 70 d.C Jerusalém foi de fato destruída. Milhares de judeus morreram no cerco e alguns outros milhares foram levados como escravos para Roma. Entre as tarefas estavam a construção do Anfiteatro de Flávio, conhecido como Coliseu Romano.

2. Imperador Domiciano - 81 d.C.

a. Segunda perseguição (a partir de 90 d.C.): Domiciano governou de 81 a 96 d.C. e implantou em todo o império o “Culto ao Imperador”. João, que nessa época morava em Éfeso, foi exilado na ilha de Patmos. Ele era o último dos doze discípulos que ainda estava vivo (Timóteo também foi martirizado nessa época).

b. A prisão do apóstolo João: segundo a tradição, João, o último apóstolo vivo, foi lançado num caldeirão de óleo fervente, mas o Senhor preservou sua vida. Depois disso, foi lançado na ilha de Patmos durante essa perseguição que vai se iniciar no ano 91.d.C..

A história conta que o apóstolo foi preso no ano 95 d.C., no entanto Domiciano morreu em 96 d.C. e o imperador chamado Nerva assumiu em seu lugar. Uma de suas primeiras medidas políticas foi libertar todos os prisioneiros de Dominciano, inclusive João.

João sai da ilha de Patmos, retorna para Éfeso e, segundo a tradição, vai morrer aproximadamente no ano 100 d.C. na cidade.

3. Imperador Trajano - 108 d.C.

a. Uma curiosidade sobre essa perseguição é que no início do governo de Trajano ela não existiu, mas sendo influenciado a suspeitar deles, determinou que se renovassem a perseguição, e, sendo possível, que se exterminasse a nova religião.

Nos dias de Trajano havia uma “campanha” para que cidadãos do império denunciassem cristãos. Eles eram tragos diante do tribunal, e caso confirmassem sua fé em Cristo, eram martirizados. Ou seja, era a religião, e não apenas os seus adeptos que Trajano odiava.

b. Inácio, Bispo de Antioquia, foi martirizado nessa época. Inácio - na época já bem idoso - impediu um grupo de irmãos que queriam “sequestrá-lo” para impedir que fosse morto pelo império. Ele respondeu que o deixassem ir, pois não havia maior privilégio do que morrer por Cristo. Ele declarou que a morte aqui não é o final, é apenas a porta de entrada para a verdadeira vida.

c. Nessa época surgiu uma certa divisão dentro da igreja. Pois alguns cristãos temendo a morte diziam não ser cristãos diante do tribunal, e após serem absolvidos voltaram para a comunidade cristã que eles faziam parte. Dentro da liderança da igreja, havia os que aceitavam perdoá-los e reintegrá-los, mas também aqueles que diziam que porque havia negado a Cristo, não podiam mais fazer parte da igreja.

4. Imperador Marco Aurélio - 162 d.C.

a. Trajano morreu em 117 d.C., Adriano o sucedeu e depois Antônio Pio. Durante o governo de Antônio Pio a igreja teve paz. Foram 30 anos sem perseguições e a palavra de Deus se espalhou por todas as províncias romanas, e a mensagem de Cristo foi levada até as extremidades da Gália (atual França) e da Assíria.

b. Contudo, com a subida de Marco Aurélio ao trono começou uma nova perseguição. Policarpo, que era Bispo em Esmirna, foi o principal mártir dessa perseguição, falecendo em sua cidade cruelmente assassinado aos 86 anos.

Ainda nessa época, a igreja considerava a mesma simplicidade e essência de culto que a Bíblia registra em Atos. Isto é comprovado por uma carta que Justino escreveu sobre como era a igreja naquela época. Esse mesmo Justino - que era Bispo de Roma - foi martirizado nessa época.

5. Imperador Severo - 192 d.C.

a. Nenhuma outra perseguição excedeu em barbaridade - nem antes e nem depois - a perseguição que Severo realizou em seus dias. Ele rebentou uma terrível perseguição contra os cristãos do norte da África. Tertuliano tentou apelar ao governante do império daquela região, mas ele o ignorou. Diante disso, Tertuliano declarou:

“A vossa crueldade será a nossa glória. Milhares de pessoas de ambos os sexos e de todas as classes, hão de se apressar ao martírio. Nós iremos exaurir os vossos fogos e cansar as vossas espadas; Cartago será dizimada. As principais pessoas da cidade, talvez até mesmo os vossos amigos mais íntimos e os vossos parentes hão de ser sacrificados. A vossa contenda contra Deus será em vão!”

b. Ele lançou um decreto que era proibido tornar-se cristão. A partir desse momento, o cristianismo não era apenas perseguido, mas sim proibido em todo o império romano. Isso fazia com que todos os cristãos tivessem a “certeza” de que estavam condenados à morte.

Até então, os cristãos sabiam que poderiam ser perseguidos, julgados e martirizados. Mas a partir de agora, tornar-se cristão era declarar que aceitava morrer por Cristo. Nessa época, Irineu de Lyon (um dos maiores teólogos dos primeiros séculos) foi martirizado em também foi martirizada uma moça chamada Perpétua aos 22 anos de idade.

6. Imperador Maximino - 235 d.C.

a. Essa perseguição começou quando o Traciano Máximo (Maximino) subiu ao trono em 235 d.C. Essa perseguição durou apenas 3 anos.

b. A causa dessa perseguição foi ridícula. Maximino tinha um ódio terrível de seu antecessor Alexandre, e para manifestar o seu ódio e repúdio a ele mudou toda a política do reinado de Alexandre. Ele tinha tratado os cristãos com bondade, e isso foi o suficiente para que esse malvado tirano tratasse os cristãos com severidade

7. Imperador Décio - 249 d.C.

a. Esse foi um tempo anormal neste período de perseguições. Houve alguns anos de paz antes de Décio assumir o trono, e a igreja por falta de zelo, começou a sentir-se cansada de estar em santa separação do mundo, e os bispos cristãos, ensoberbecidos por seu poder e importância, começaram a aceitar colocações na corte e começaram a acumular riquezas colossais.

Devido a esse princípio de apostasia, muitos cristãos mostraram-se flexíveis diante do período de perseguição que veio nos dias de Décio.

A grande prova disso é que depois que Fabiano, Bispo de Roma, foi martirizado por Décio, ninguém teve coragem de ocupar seu lugar. Os poucos cristãos que ainda permaneceram fiéis foram cruelmente perseguidos e torturados.

Há um relato de sete soldados romanos cristãos que morreram à fome numa caverna em que estavam refugiados, pois o imperador ordenara que a estrada fosse fechada. Nessa época, Orígenes também foi martirizado.

O imperador Décio (249-251) deu mais um passo importante na questão da perseguição. O culto a César passou a ser universal e obrigatório para todas as raças e nações dentro do império, com a única exceção dos judeus.

8. Imperador Valeriano - 257 d.C.

a. A partir de 257, o imperador Valeriano, além de manter a lei de proibição estabelecido por Sétimo Severo, decidiu também confiscar todos os bens que pertenciam a cristãos. Além disso, esse terrível imperador também ordenou as cópias de todos os textos cristãos que fossem encontrados (cópias dos evangelhos, de textos paulinos e de todo outro livro de origem cristã) queimados.

b. Nessa época, o Bispo Sisto II - que havia aceitado ser líder da igreja em Roma - foi decapitado em pleno culto enquanto ministrava o ato da ceia. Durante esta perseguição, morreram também Cipriano, Bispo de Cartago, e Orígenes de Alexandria, ambos considerados “pais da igreja”. Um outro caso interessante de martírio dessa época foi o de Cirilo, um adolescente que não negou a sua fé diante da perseguição imperial.

9. Imperador Diocleciano - 303 d.C.

a. Antes de Diocleciano assumir o poder a igreja teve um período de quase 50 anos de paz. No entanto, esse tempo sem perseguição em vez de fazer bem, acabou fazendo mal aos cristãos. O escritor A. Knight escreve que “Nesse tempo a igreja tinha diminuído em poder espiritual, mas tinha aumentado em soberba e ambição mundana, e a simplicidade do seu culto quase se ofuscou por ritos mais judaicos do que cristãos”.

b. E isto não era tudo. Muitos empregavam os seus dons espirituais em ostentação em vez de usarem-nos para edificação, e aqueles que tinham o privilégio de poder alimentar o rebanho de Deus deixavam o seu encargo sagrado e ocupavam-se na acumulação de riquezas. Esbanjavam e acumulavam tanta riqueza que ouviu-se um pagão dizer “Façam-me Bispo de Roma que eu logo me tornarei um cristão”.

c. No meio dessa apostasia começou a nona perseguição imperial. Diocleciano promulgou o Edito de Extermínio, que era a autorização para que qualquer cidadão do império executasse os cristãos onde eles fossem achados. Durante essa perseguição, houve um cálculo de 3 a 4 mil cristãos mortos. Templos construídos nos anos de paz foram destruídos e houve uma ocasião que a mando do imperador os cristãos foram presos dentro de um templo e incendiados vivos.

10. Imperador Galério - 305 d.C.

a. Esta foi a última perseguição. Galério manteve o Edito de Extermínio que havia sido implantado por Diocleciano e continuou a matança de milhares de cristãos.

b. Nessa época publicaram outros dois editos:

Primeiro: ordenando a destruição de todo templo que ainda restasse e de todos os escritos sagrados.

Segundo: determinando que todos os que pertencessem à ordem clerical fossem presos.

4.A morte dos apóstolos (100 a 313 d.C. sendo a primeira perseguição em 64 d.C.)

Mateus - Sofreu martírio pela espada na Etiópia

Tiago - Foi decapitado em Jerusalém

Tiago, o Menor - Foi lançado de um pináculo do Templo e depois espancado até a morte

Felipe - Foi enforcado em uma coluna na Frígia, atual Turquia

Bartolomeu - Foi esfolado vivo em Albanópolis

André - Foi morto em uma cruz, e pregou ali aos seus perseguidores, em Patras, na Grécia

Matias - Foi primeiro apedrejado e depois decapitado em Jerusalém

Pedro - Foi crucificado de cabeça para baixo em Roma, na Itália

Tomé - Sofreu uma flechada de lança no peito, em Malipur, na Índia

Judas Tadeu e Simão, o Zelote - Morreram juntos como mártires na Armênia

Marcos* - Sofreu martírio em Alexandria (Egito), depois de ser arrastado pelas ruas da cidade.

Lucas* - Foi enforcado em uma Oliveira, na Grécia

Como os Imperadores morreram: A morte dos imperadores

5.A Morte dos Imperadores:

No entanto, é necessário também comentarmos e compararmos como morreram esses perseguidores. Veja o fim miserável dos perseguidores:

● Nero, Diocleciano e Maximiano se suicidaram;

● Domiciano, Cômodo e Aureliano foram assassinados;

● Adriano morreu em agonia gritando “Quão desgraçado é procurar a morte e não encontrá-la”;

● Décio foi covardemente assassinado e o seu corpo dado a abutres e animais ferozes;

● Valeriano, depois de ser preso por Sapor, rei da Pérsia, passou a ser usado como um “banco” onde o rei subia para montar em seu cavalo, e depois de sofrer sete anos esse e outros insultos, foram-lhe arrancados os dois olhos e esfolaram-no vivo;

● Valério foi acometido por uma doença terrível e, assim como Herodes, teve seu corpo comido por bichos.

A perseguição em muitos casos, ajudou a divulgar a fé cristã — por exemplo, os martírios costumavam ser testemunhados por milhares de pessoas no anfiteatro. O termo mártir significava “testemunha”, e é precisamente dar testemunho o que muitos cristãos realizavam no momento da morte. O público romano era duro e cruel, mas não completamente desprovido de compaixão. Não há dúvida de que a atitude dos mártires, e particularmente das jovens mulheres que sofriam juntamente com os homens, causaram uma impressão profunda na população de Roma. Em várias ocasiões, o que encontramos é uma coragem tranquila frente ao tormento, gentileza com os inimigos e uma aceitação jubilosa do sofrimento como o caminho apontado pelo Senhor para o reino celestial. Há um grande número de casos de pagãos que se converteram ao testemunhar a condenação e morte de cristãos. Por essas e outras razões, as igrejas cristãs multiplicaram-se até o ponto em que Roma não mais conseguiu ignorar ou suprimir a fé. (Atos 8.1-4).

A atual perseguição contra os cristãos: https://www.gospelprime.com.br/cresce-a-violencia-contra-cristaos-no-mundo/

A Igreja do Senhor Jesus segue marchando e triunfando (Mt 16.18)

Principais Fontes:

Curso Médio De Teologia: Por Marcelo Miranda Cavalcanti

História do cristianismo: Uma obra completa e atual sobre a trajetória da igreja cristã desde as origens até o século XXI - Bruce Shelley, Giuliana Andrea Niedhardt

História da Igreja – Matheus Soares

Wikipédia

Quais São as Causas do Crescimento do Cristianismo?

 

Quais São as Causas do

Crescimento do Cristianismo?

Porque o cristianismo se difundiu e por que ele se expandiu com tanta rapidez?

Os que aceitaram a mensagem foram batizados, e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas. Atos 2 e 41

Em número cada vez maior, homens e mulheres criam no Senhor e lhes eram acrescentados, Atos 5 e 14

Mas, muitos dos que tinham ouvido a mensagem creram, chegando o número dos homens que creram a perto de cinco mil. Atos 4 e 4

1.Contexto Cultural: Plenitude dos tempos: Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, (Gálatas 4 e 4)

Qual é o significado da palavra plenitude: aquilo que é completo, pleno, cheio até a medida. Deus age mediante tempos de plenitude. A plenitude dos tempos indica medidas que precisavam ser alcançadas para a vinda do messias, são elas:

1.1 - Judeus:

A) O Monoteísmo: A crença em um só Deus revelado à partir de Abraão, o Judaísmo

B) Região Territorial: A Palestina onde o cristianismo deu seus primeiros passos ocupava uma posição geográfica privilegiada pois ocupava uma área onde era a encruzilhada das grandes rotas comerciais que uniam o Egito à Mesopotâmia, e a Arábia com a Ásia Menor.

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C) Dispersão dos Judeus – Diáspora: (em grego clássico: διασπορά, "dispersão") define o deslocamento, normalmente forçado ou incentivado, de grandes massas populacionais originárias de uma zona determinada para várias áreas de acolhimento distintas. O termo "diáspora" é usado com muita frequência para fazer referência à dispersão do povo judaico no mundo antigo, a partir do exílio na Babilônia no século VI antes de Cristo. e, especialmente, depois da destruição de Jerusalém em 70 depois de Cristo.

1.2 - Cultura Grega:

Dentre muitos fatores da cultura grega que se expandiu através de Alexandre “O Grande” que venceu os Persas no século IV antes de Cristo, se destaca a língua grega, que foi uma língua universal. Como exemplo disto, temos a Septuaginta, é o nome da versão da Bíblia hebraica traduzida em etapas para o grego koiné, entre o século 3 antes de Cristo e o século 1 antes de Cristo., em Alexandria; A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, a LXX), pois setenta e dois rabinos (seis de cada uma das doze tribos) trabalharam nela e, segundo a tradição, teriam completado a tradução em setenta e dois dias. A Septuaginta, desde o século 1, é a versão clássica da Bíblia hebraica para os cristãos de língua grega e foi usada como base para diversas traduções da Bíblia.

1.3 – Império Romano:

A) Conquista mundial: O Império Romano conquistou cerca de 30 nações e possuía quase cinco milhões de quilômetros quadrados.

A política dos romanos era, em geral, tolerante em relação a religião e aos costumes dos povos conquistados, até que as perseguições imperiais acontecessem, o cristianismo já havia se alastrado.

B) Estradas bem pavimentadas: As estradas se estendiam por 85 mil quilômetros em todo território.

C) Pax Romana: A Pax Romana, expressão latina para "A Paz Romana", é o longo período de relativa paz, gerada pelas armas e pelo autoritarismo, experimentado pelo Império Romano que iniciou-se quando Augusto, em 28 antes de Cristo, declarou o fim das guerras civis e durou até o ano da morte do imperador Marco Aurélio, em 180 depois de Cristo ; Com isto podia-se entrar e sair de um país facilmente.

2.A Pregação do Evangelho: Muitos viram o Senhor Jesus Ressurreto e outros que não viram eram convencidos desta verdade (1ª Coríntios 15 de 1 ao 8); Isso os levou a cumprir fielmente a ordem do Senhor Jesus (Mateus 28 do 19 ao 20); (Marcos 16 do 15 ao 16).

O apóstolo Paulo disse aos cristãos romanos: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação […] primeiro do judeu, depois do grego” (Romanos 1 e 16).

A) Judeus: Como já vimos (1.1 e 2) os judeus eram Monoteístas; Estavam presentes, em grande número, em todas as partes do Império Romano; E tinham as Escrituras em grego (Septuaginta); Os apóstolos e discípulos do Senhor Jesus não cessavam de pregar e ensinar (Atos 5 e 42), (Atos 6 e 4); (1ª  Coríntios 9 e 16); (2ª  Timóteo 4 do 1 ao 2) a mensagem era Cristocêntrica, anunciavam com grande sabedoria provando nas Escrituras que o Senhor Jesus era o Cristo, o Messias (Atos 2 do 14 ao 41); (Atos 9 do 19 ao 22); (Atos 19 do 8 ao 10).

B) Gentios: Muitos gentios (gregos e romanos) consideravam o ensinamento das sinagogas uma sabedoria profunda e convincente, mas, em outros momentos, não estavam tão certos disso. Alguns gentios submetiam-se ao ritual da circuncisão e, desse modo, tornavam-se parte do povo judeu, estes eram os judeus prosélitos (Atos 2 e 10). No entanto, a maioria permanecia na categoria dos tementes a Deus, isto é, espectadores interessados nos cultos da sinagoga. A maioria dos “tementes a Deus” conhecia bem o Antigo Testamento, entendia suas ideias teológicas e aceitava seus valores morais. A resposta mais frutífera à pregação do evangelho vinha desse último grupo. Quando os pregadores cristãos deixavam claro para essas pessoas que, mesmo sem se submeter ao ritual da circuncisão — que tanto gregos quanto romanos consideravam degradante e repugnante —, elas poderiam receber tudo o que o judaísmo oferecia e ainda mais, não lhes era difícil dar o passo seguinte e aceitar Jesus como o Cristo.

Saiba mais sobre a Missão de Anunciarmos o Evangelho: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/01/cumprindo-nossa-missao-de-pregar-o.html 

3.O Poder do Espírito Santo: A Igreja Primitiva cumpriu com êxito a missão de pregar o Evangelho do Senhor Jesus, porém, antes de começarem à pregar, o Senhor lhes ordenou que esperassem em Jerusalém para receberem o revestimento de poder (Lucas 24 e 49); (Atos 1 do 4 ao 8); Este revestimento trouxe ousadia na proclamação do Evangelho (Atos 4 e 31); (Atos 6 e 8), eles davam grande testemunho do Senhor Jesus com sinais e maravilhas (Atos 2 e 43); (Atos 4 e 33); (Atos 5 do 12 ao 16); (Atos 8 do 5 ao 7 e o 13); (Atos 19 do 11 ao 20), permaneciam firmes nas aflições (Atos 5 e 41), não temiam as perseguições (Atos 5 e 29); (Atos 14 do 19 ao 28); (Atos 20 do 22 ao 23) e nem mesmo a morte (Atos 7 do 51 ao 60); (Atos 20 e 24); (Atos 21 e 13).

4.A Perseguição:  Em muitos casos, ajudou a divulgar a fé cristã — por exemplo, os martírios costumavam ser testemunhados por milhares de pessoas no anfiteatro. O termo mártir significava “testemunha”, e é precisamente dar testemunho o que muitos cristãos realizavam no momento da morte. O público romano era duro e cruel, mas não completamente desprovido de compaixão. Não há dúvida de que a atitude dos mártires, e particularmente das jovens mulheres que sofriam juntamente com os homens, causaram uma impressão profunda na população de Roma. Em várias ocasiões, o que encontramos é uma coragem tranquila frente ao tormento, gentileza com os inimigos e uma aceitação jubilosa do sofrimento como o caminho apontado pelo Senhor para o reino celestial. Há um grande número de casos de pagãos que se converteram ao testemunhar a condenação e morte de cristãos. Por essas e outras razões, as igrejas cristãs multiplicaram-se até o ponto em que Roma não mais conseguiu ignorar ou suprimir a fé, tornando necessário que se chegasse a um acordo. (Atos 8.1 e 4).

Saiba mais sobre as perseguições contra os cristãos: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/08/perseguicoes-contra-igreja-crista.html

5.A expressão prática do amor cristão: Provavelmente estava entre as causas mais poderosas do êxito do cristianismo. Tertuliano informa que os pagãos comentavam: “Vejam como esses cristãos amam uns aos outros!” Essas palavras eram sinceras, uma vez que o amor cristão encontrava expressão no cuidado dispensado aos pobres, viúvas e órfãos, em visitas aos irmãos nas prisões ou àqueles que haviam sido condenados a uma vida nas minas e em atos de compaixão durante períodos de fome, terremotos ou guerras. Uma dessas expressões de amor cristão teve um efeito particularmente profundo: a Igreja costumava providenciar o funeral de irmãos pobres, pois, para os cristãos, privar alguém de um sepultamento digno era algo terrível.

A compaixão cristã pelos corpos dos mortos explica como os cristãos foram associados às catacumbas, corredores subterrâneos utilizados como cemitérios em Roma e seu entorno. O impacto que esse ministério de misericórdia causou nos pagãos pode ser visto na observação de um dos piores inimigos do cristianismo, o imperador apóstata Juliano (332-363). Naquela época, Juliano concluiu que era mais difícil do que imaginava dar nova vida à religião romana tradicional. Ele queria pôr o cristianismo de lado e trazer de volta a fé antiga, mas viu claramente o poder de atração exercido pelo amor cristão: “O ateísmo [isto é, a fé cristã] foi especialmente promovido por meio do serviço amoroso prestado a estranhos e do cuidado com o sepultamento dos mortos. É um escândalo o fato de não haver um único judeu mendigando e de os galileus ateus cuidarem não apenas de seus próprios pobres, como também dos nossos, enquanto aqueles que nos pertencem buscam, em vão, a ajuda que deveríamos dar”. (João 13 do 34 ao 35); (Atos capítulos 2 ao 4); (1ª Pedro 2 do 11 ao 12); (1ª  Pedro 3 do 8 ao 17)

A visão católica dos cristãos primitivos, entretanto, era tão evidente no impacto social do evangelho quanto em sua expansão geográfica. Ao longo dos primeiros três séculos, a maioria dos cristãos era composta por pessoas simples, humildes: escravos, mulheres, comerciantes e soldados — talvez isso simplesmente decorra do fato de que a maioria da população pertencia a essa classe. Seja como for, Celso, o crítico declarado do cristianismo, tomou nota disso: “Longe de nós, dizem os cristãos, ser homens com cultura, sabedoria ou discernimento; o objetivo deles é convencer apenas pessoas desprezadas e insignificantes, idiotas, escravos, mulheres pobres e crianças, Estes são os únicos que eles conseguem converter”.

Celso estava correto ao observar que muitos pobres e desfavorecidos aceitavam a mensagem da vitória de Jesus, e é mérito da Igreja não ter negligenciado os pobres e desprezados. Mas, ao final do segundo século, a nova fé estava a caminho de se tornar o movimento mais poderoso e cativante dentro do império; além disso, muitas mentes brilhantes da época estavam se tornando seguidoras de Cristo.

A escravidão tomou a sociedade romana como um câncer, e o escravo, fosse homem ou mulher, estava sempre à disposição de seu senhor para as tarefas mais subalternas. Caso não o satisfizesse, poderia ser descartado ou até mesmo abatido como um animal sem valor. Nesse tipo de sociedade, alguns cristãos também tinham escravos, mas os tratavam com bondade e permitiam que tivessem os mesmos direitos dentro da igreja um ex-escravo, Calisto, tornou-se bispo de Roma.

Saiba mais sobre o Amor ao Próximo: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2019/01/o-amor-ao-proximo_12.html

6.O Catolicismo Romano e a Reforma Protestante:

No ano 312 d.c, Constantino tornou-se o mais novo imperador do Império Romano e  “converteu-se” ao cristianismo depois de ter vencido a batalha da Ponte Mílvia contra Maxêncio (ou Magêncio) e o cristianismo se tronou a religião oficial do Império Romano, mas Constantino continuou com sua crença pagã, sendo assim, houve uma fusão entre o paganismo e o cristianismo e a Igreja Católica Romana foi oficializada; Sendo o cristianismo a nova religião do Estado, virou um “status” ser cristão, houve uma falsa conversão dos pagãos ao cristianismo (toda a população se tornou cristão sem mesmo terem se arrependidos de seus pecados, orgias, imoralidades e etc; Somente alguns grupos mantiveram o cristianismo puro e verdadeiro, um dos mais conhecidos foram os Valdenses.

Na mesma intensidade que o “cristianismo” crescia, também se afastava das matrizes deixadas pelo Senhor Jesus e seus apóstolos e isto foi duramente combatido por muitos homens de Deus, dentre os mais conhecidos foram: John Wyclif, Jan Huss e Martinho Lutero.

Foi com Martinho Lutero que oficialmente deu-se início a Reforma Protestante, este movimento trouxe o cristianismo de volta às suas origens.

Saiba mais clicando no Link: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2019/10/a-reforma-protestante.html

7.O Pentecostalismo:

Este certamente é um dos maiores proponentes do crescimento do cristianismo moderno.

O Senhor Jesus operou vários milagres pelo poder do Espírito Santo e Ele mesmo ordenou que os seus discípulos esperassem em Jerusalém até que fossem revestidos do poder do Espírito Santo e depois saíssem e anunciassem o seu Evangelho (Lc 24.49); (At 1.1-4-8); Vimos no tópico (3), o êxito que os apóstolos tiveram nessa importante tarefa.

O Cristianismo que temos hoje, isto falando de expansão territorial e números de adeptos, com certeza é fruto do Pentecostalismo, pois aqueles que creem na continuidade no batismo com o Espírito Santo e nos dons espirituais, são capacitados e inflamados por Deus para anunciarem o evangelho à todas as pessoas e em todos os lugares, um exemplo disto é a fundação e o crescimento da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Brasil.

Saiba mais sobre o Pentecostalismo clicando no Link: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/07/pentecostalismo-biblico-e-historico.html

Estas são as principais causas do crescimento da Igreja do Senhor Jesus!

Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; (Mateus 16 e 18)

Principais Fontes:

Curso Médio De Teologia: Por Marcelo Miranda Cavalcanti

História do cristianismo: Uma obra completa e atual sobre a trajetória da igreja cristã desde as origens até o século XXI - Bruce Shelley, Giuliana Andrea Niedhardt

História da Igreja – Matheus Soares

Wikipédia

Racionalismo X Cristianismo

 

 Racionalismo X Cristianismo 

O culto à Razão: Em busca dos fundamentos

 

O ESPÍRITO DA ÉPOCA DA RAZÃO - Introdução:

A Idade Média e a Reforma foram séculos de fé no sentido de que a razão servia à fé, de que a mente obedecia à autoridade — no caso dos católicos, a autoridade da Igreja; no caso dos protestantes, a autoridade da Bíblia (no caso dos católicos, o Ser de Deus, a Criação, Moral, Ser de Cristo e sua obra). Em ambos os casos, porém, a palavra de Deus tinha primazia, e não os pensamentos humanos, e a preocupação básica do homem nesta vida era sua preparação para o porvir.

O espírito da época da razão era nada menos do que uma revolução intelectual, uma maneira totalmente nova de olhar para Deus, para o mundo e para si mesmo; podemos dizer que esse foi o nascimento do secularismo. A Idade Média e a Reforma foram séculos de fé no sentido de que a razão servia à fé, de que a mente obedecia à autoridade — no caso dos católicos, a autoridade da Igreja; no caso dos protestantes, a autoridade da Bíblia. Em ambos os casos, porém, a palavra de Deus tinha primazia, e não os pensamentos humanos, e a preocupação básica do homem nesta vida era sua preparação para o porvir.

A época da razão repudiou isso, substituindo a fé pela razão, e a preocupação básica do homem já não era mais a preparação para a próxima vida, mas a felicidade e a realização neste mundo; e a mente do homem, não sua fé, era o melhor guia para a felicidade — não as emoções, os mitos ou as superstições.

Isto iniciou-se com a Renascença antes da Reforma Protestante e gerou vários pensamentos filosóficos como: Racionalismo/ Iluminismo / Deísmo / Liberalismo Teológico.

1. A RENASCENÇA: Antes da Reforma

A palavra significa renascimento e refere-se à recuperação dos valores das civilizações clássicas grega e romana que foram expressos na literatura, na política e nas artes.

A leitura do texto em seu idioma original, por sua vez, era o nível mais elevado nessa iniciativa de edificação da alma. Todos os principais reformadores adotaram essa abordagem humanista renascentista aos textos e passaram a acreditar que precisavam ter contato com a Bíblia em seu idioma original. Talvez o melhor exemplo da volta do espírito classicista tenha sido Erasmo de Roterdã (1467-1536).

Saiba mais sobre a Renascença clicando no Link: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/08/renascimento-e-humanismo.html    

A Renascença tinha uma visão positiva da natureza do homem e do universo em si. Essa confiança no homem e em suas capacidades floresceu e espalhou-se pela atmosfera do Racionalismo e Iluminismo.

2.O Racionalismo:

O Grande Racionalismo Clássico (1600): Depois da Reforma 1517

Principal Pensador: René Descartes (1596-1626)/ Influências: Aristóteles / Definição: O racionalismo é em parte, a base da Filosofia, ao priorizar a razão como o caminho para se alcançar a verdade/ Objetivo: O racionalismo tem como principal objetivo teorizar o modo de conhecer dos seres humanos, não aceitando qualquer elemento empírico como fonte do conhecimento verdadeiro. O racionalismo defende que a única forma plausível e aceitável de conhecimento correto do ser humano é a razão e a capacidade de raciocinar (Física/ Química/ Biologia). Para os filósofos racionalistas, todo o conhecimento que advém da experiência prática (empírica) deve ser rejeitado, pois é passível ao erro e pode nos enganar. Nesse sentido, filósofos como o francês moderno René Descartes propõem uma espécie de ceticismo quanto ao conhecimento proporcionado pela experiência captada pelos sentidos do corpo.

2° Esta filosofia gerou o ceticismo: Só é real, verdadeiro aquilo (concretas, visíveis) que pode ser analisado, estudado e comprovado racionalmente; Utilizam-se do método científico para comprovar os fenômenos naturais e saber de fato o que é verdade e o que é mito;

Problemas:

Cristianismo: Desconsidera os milagres, o sobrenatural, fortalecendo o ateísmo (Deus não existe) – Pois não posso ve-lo e comprova-lo cientificamente, aqui se fundamenta as teorias como o Big-Bang e o Evolucionismo.

Mas a Bíblia Sagrada, não que ela precisa disto para ser verdade, dia após dia vem sido respaldada pela ciência e arqueologia e tantas outras disciplinas.

O Racionalismo trouxe diversos problemas para o Cristianismo, como podemos ver nestes próximos eventos.

3.Iluminismo:

Para saber mais sobre Cristianismo X Iluminismo, clique no Link: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/04/o-iluminismo.html

4.Deísmo: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/08/deismo.html

5.Liberalismo Teológico: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/08/teologia-liberal.html

6.Marxismo Cultural: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/04/guerra-cultural-marxismo-cultural-x.html

Principais Fontes:

*História do cristianismo: Uma obra completa e atual sobre a trajetória da igreja cristã desde as origens até o século XXI - Bruce Shelley, Giuliana Andrea Niedhardt

*Wikipédia

Deísmo

 

Deísmo

Para entender o Deísmo, é necessário conhecer os movimentos antecedentes.

Renascença: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/08/renascimento-e-humanismo.html

Racionalismo: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/08/racionalismo-x-cristianismo.html   

Iluminismo: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/04/o-iluminismo.html

É principalmente no Iluminismo que surge o que se conhece hoje como Deísmo. Essa crença passou a ser chamada de deísmo, um movimento especialmente popular em meio a anglófonos que estava à metade do caminho do ateísmo. Defendia ser possível sustentar a ideia de Deus e rejeitar o conceito de que ele se envolve ou interfere no mundo. O Deus dos deístas é, por vezes, chamado de Deus relojoeiro, pois criou o mundo assim como um relojoeiro fabrica um relógio, depois deu corda e o deixou funcionando. Uma vez que Deus era um relojoeiro perfeito, não havia necessidade de interferir no mundo depois. Por essa razão, os deístas rejeitavam qualquer coisa que se assemelhasse a uma interferência divina no mundo, tal como milagres ou revelações especiais registradas na Bíblia. Então, um deísta é aquele que está inclinado a afirmar a existência de um princípio criador (Deus) mas não pratica nenhuma religião, não negando a realidade de um mundo completamente regido pelas leis naturais e físicas. A interpretação de Deus pode variar para cada deísta. Assim, um dos princípios fundamentais desta posição é baseada na consolidação de que Deus criou tudo o visível e o invisível, o mundo físico e o espiritual mas não interfere nele de maneira evidente.

Os deístas acreditavam que sua religião era a religião original do homem e dela todas as demais religiões haviam derivado por distorção, as quais, por sua vez, eram obra de sacerdotes que inventavam as teologias, os mitos e as doutrinas das diversas religiões em busca de aumentar seu próprio poder.

Edward Herbert, Lorde de Cherbury (1583-1648), é geralmente considerado como o "pai do deísmo inglês", e seu livro De Veritate (na verdade, It Is Distinguished from Revelation, the Probable, the Possible, and the False) (1624) a primeira grande demonstração do deísmo.

Herbert apresentou os pontos básicos do deísmo que pode ser resumido na seguinte maneira: "Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo". Outros deístas influentes, como Charles Bloynt (1654-1693), John Tolarndt(1670-1722), Lorde Shaftesbury (1671-1713) pregaram que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão; tudo o que não pudesse ser provado pela razão deveria ser descartado.

Com o advento do Iluminismo o propagandista mais influente do deísmo foi Voltaire (1694-1778), que personificou o ceticismo do Iluminismo francês e, acima de todos os outros, popularizou a ciência de Newton, lutou pela liberdade do indivíduo e da imprensa, e difundiu o culto da razão. Ele produziu um número prodigioso de obras (histórias, peças teatrais, panfletos, ensaios e romances) e, por meio de correspondências, estimadas em 10 mil cartas, ele disseminou com perspicácia as virtudes do Iluminismo e atacou ferozmente os abusos da época.

Voltaire alcançou sua maior fama por ser o crítico mais implacável das igrejas estabelecidas, tanto protestantes quanto católicas, visto que se mostrava indignado com a intolerância do cristianismo organizado e desgostoso com as rixas insignificantes que pareciam monopolizar o tempo de muitos sacerdotes e clérigos. A despeito de sua crítica mordaz ao cristianismo, entretanto, seu objetivo não era destruir a religião, tanto que certa vez ele disse que, se não houvesse um Deus, seria necessário inventar um, tratava os milagres do Cristianismo com desdém. A prova de determinada posição encontrava-se na razão ou em experiências humanas e, uma vez que os milagres eram reprovados nesse teste, eram descartados como disparates medievais. Os deístas, com seu otimismo confiante, supunham saber tudo sobre a sabedoria e o propósito de Deus, e extraíam todas essas informações do padrão da natureza.

Ao mesmo tempo, com a imigração de deístas ingleses, a divulgação dos escritos deístas e a difusão das ideias iluministas nas Treze Colônias contribuíram para popularizar o deísmo nos Estados Unidos, com os escritos dos norte-americanos, John Quincy Adams, Ethan Allen, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, James Madison, George Washington e, especialmente, Thomas Paine em seu livro A Era da Razão. Os princípios deístas, especificamente tiveram efeito sobre as estruturas política e religiosa dos Estados Unidos, tais como a separação entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa

Por fim, o deísmo acabou desmoronando por suas próprias fraquezas, pois estava fundamentado em um falso otimismo e não dispunha de explicações para os males e os desastres da vida. Uma vez que as leis da natureza eram claras e imutáveis, os deístas presumiam que as escolhas morais do homem também eram simples e imutáveis. À pergunta: “Por que os homens nem sempre veem com clareza as verdades religiosas na natureza?”, os deístas podiam responder apenas com “as mentiras dos sacerdotes”; contudo, isso era simples demais para ser verdade, e poucos ficaram convencidos.

A rejeição final do deísmo, entretanto, não recolocou o cristianismo no lugar central na cultura ocidental, e o esforço negativo da época da razão perdurou. A cultura moderna — sua arte, sua educação, sua política — estava liberta da influência cristã formal. Os homens fizeram uma tentativa deliberada de organizar uma civilização religiosamente neutra, e isso significava que a fé deveria atuar nos âmbitos particulares, limitados à Igreja, ao lar e ao coração, justamente o que encontramos hoje nas sociedades modernas seculares.

O deísmo, geralmente considerado como uma influente escola de pensamento, declinou em cerca de 1800. O termo deísta tornou-se raramente utilizado, mas as crenças deístas, suas ideias e influências não.

As principais raízes filosóficas do Deísmo vem:

Os racionalistas como René Descartes, Immanuel Kant e Gottfried Leibniz, que acreditam em um conhecimento a priori ou inato;

Os empiristas, incluindo John Locke, George Berkeley e David Hume, que afirmam que todo conhecimento vem da experiência.

Os efeitos combinados dessas duas filosofias que, mesmo sendo teoricamente contrárias entre si, concordavam que Deus tem de ficar de fora do conhecimento humano e produziu profundo impacto na teologia cristã, como por exemplo a Teologia Liberal.

Saiba mais sobre a Teologia Liberal clicando neste Link: https://tiagoluispereira.blogspot.com/2020/08/teologia-liberal.html

Principais Fontes:

*História do cristianismo: Uma obra completa e atual sobre a trajetória da igreja cristã desde as origens até o século XXI - Bruce Shelley, Giuliana Andrea Niedhardt

*Wikipédia

Teologia Liberal

 

Teologia Liberal

 

Defesa da Fé - Edição 69

A teologia liberal e suas implicações para a fé bíblica

Por Danilo Raphael: https://www.icp.com.br/df69materia1.asp

Do jeito que as coisas andam em nossos dias, precisamos urgentemente nos libertar da teologia liberal. É espantoso o crescente número de livros (inclusive publicados por editoras evangélicas) que esboçam os ensinamentos deste tipo de teologia ou tecem comentários favoráveis. Embora esta teologia tenha nascido com os protestantes, hoje, porém, seus maiores expoentes são os católicos romanos. Em qualquer livraria católica encontramos grande quantidade de obras defendendo e/ou propagando a teologia liberal. E não é só isso. A forma com que alguns seminários e igrejas vêm se comprometendo com os ensinos desta teologia também é de impressionar.

A libertação da teologia liberal não só é necessária como também é vital para a Igreja brasileira, ameaçada pelo secularismo e pelo liberalismo teológico corrosivo.

Apesar das motivações iniciais dos modernistas, suas ideias, no entanto, representaram grave ameaça à ortodoxia, fato já comprovado pela história. O movimento gerou ensinamentos que dividiram quase todas as denominações históricas na primeira metade deste século. Ao menosprezar a importância da doutrina, o modernismo abriu a porta para o liberalismo teológico, o relativismo moral e a incredulidade descarada. Atualmente, a maioria dos evangélicos tende a compreender a palavra "modernismo" como uma negação completa da fé. Por isso, com facilidade esquecemos que o objetivo dos primeiros modernistas era apenas tornar a igreja mais "moderna", mais unificada, mais relevante e mais aceitável em uma era caracterizada pela modernidade.

Mas o que caracterizaria um teólogo liberal? O verbete sobre o "protestantismo liberal" do Novo Dicionário de Teologia, editado por Alan Richardson e John Bowden, nos traz uma boa noção do termo. Vejamos três destaques de elementos do liberalismo teológico:

1. É receptivo à ciência, às artes e estudos humanos contemporâneos. Procura a verdade onde quer que se encontre. Para o liberalismo não existe a descontinuidade entre a verdade humana e a verdade do cristianismo, a disjunção entre a razão e a revelação. A verdade deve ser encontrada na experiência guiada mais pela razão do que pela tradição e autoridade e mostra mais abertura ao ecumenismo;

2. Tem-se mostrado simpatia para com o uso dos cânones da historiografia para interpretar os textos sagrados. A Bíblia é considerada documento humano, cuja validade principal está em registrar a experiência de pessoas abertas para a presença de Deus. Sua tarefa contínua é interpretar a Bíblia, à luz de uma cosmovisão contemporânea e da melhor pesquisa histórica, e, ao mesmo tempo, interpretar a sociedade, à luz da narrativa evangélica;

3. Os liberais ressaltam as implicações éticas do cristianismo. O cristianismo não é um dogma a ser crido, mas um modo de viver e conviver, um caminho de vida. Mostraram-se inclinados a ter uma visão otimista da mudança e acreditar que o mal é mais uma ignorância. Por ter vários atributos até divergentes, o liberal causa alergia para uns e para outros é motivo de certa satisfação, por ser considerado portador de uma mente aberta para o diálogo com posições contrárias.

As grandes batalhas causadas pelo liberalismo foram travadas dentro das grandes denominações históricas. Muitos pastores que haviam saído dos EUA no intuito de se pós-graduarem nas grandes universidades teológicas da Europa, especificamente na Alemanha, em que a teologia liberal abraçava as teorias destrutivas da Alta Crítica produzida pelo racionalismo humanista, acabaram retornando para os EUA completamente descrentes nos fundamentos do cristianismo histórico. Os liberais, devido à tolerância inicial dos fiéis para com a sã doutrina, tiveram tempo de fermentar as grandes denominações e conseguiram tomar para si os grandes seminários, rádios e igrejas, de modo que não sobrou outra alternativa para grande parte dos fundamentalistas senão sair dessas denominações e se organizar em novas denominações. Daí surgiram os Batistas Regulares (que formaram a Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares, em 1932), os Batistas Independentes, as Igrejas Bíblicas, as Igrejas Cristãs Evangélicas, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (em 1936, que mudou seu nome para Igreja Presbiteriana Ortodoxa), a Igreja Presbiteriana Bíblica (em 1938), a Associação Batista Conservadora dos Estados Unidos (em 1947), as Igrejas Fundamentalistas Independentes dos Estados Unidos (em 1930) e muitas outras denominações que existem ainda hoje.

Podemos dizer que algumas das características do cristianismo ortodoxo se baseiam nos seguintes pontos:

*Manter fidelidade incondicional à Bíblia, que é inerrante, infalível e verbalmente inspirada;

*Acreditar que o que a Bíblia diz é verdade (verdade absoluta, ou seja, verdade sempre, em todo lugar e momento);

*Julgar todas as coisas pela Bíblia e ser julgado unicamente por ela;

*Afirmar as verdades fundamentais da fé cristã histórica: a doutrina da Trindade, a encarnação, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório, a ressurreição física, a ascensão ao céu, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, o novo nascimento mediante a regeneração do Espírito Santo, a ressurreição dos santos para a vida eterna, a ressurreição dos ímpios para o juízo final e a morte eterna e a comunhão dos santos, que são o Corpo de Cristo.

*Ser fiel à fé e procurar anunciá-la a toda criatura;

*Denunciar e se separar de toda negativa eclesiástica dessa fé, de todo compromisso com o erro e de todo tipo de apostasia;

*Batalhar firmemente pela fé que foi concedida aos santos.

Contudo, o liberalismo, em sua apostasia, nega a validade de quase todos os fundamentos da fé, como, por exemplo, a inerrância das Escrituras, a divindade de Cristo, a necessidade da morte expiatória de Cristo, seu nascimento virginal e sua ressurreição. Chegam até mesmo a negar que existiu realmente o Jesus narrado nas Escrituras. A doutrina escatológica liberal se baseia no universalismo (todas as pessoas serão salvas um dia e Deus vai dar um jeito até na situação do diabo) e, consequentemente, para eles, não existe inferno e muito menos o conceito de pecado. O liberalismo é um sistema racionalista que só aceita o que pode ser "provado" cientificamente pelos próprios conhecimentos falíveis, fragmentados e limitados do homem.

Os primeiros estudiosos que aplicaram o método histórico-crítico sem critérios ao estudo das Escrituras negavam que a Bíblia fosse, de fato, a Palavra de Deus inspirada. Segundo eles, a Bíblia continha apenas a Palavra de Deus.

O liberalismo teológico tem procurado embutir no cristianismo uma roupagem moderna: pegam as últimas idéias seculares e, sorrateiramente, espalham no mundo cristão. J.G. Machem, em seu livro Cristianismo e liberalismo, trata deste assunto com maestria. Na contracapa, podemos ver uma pequena comparação entre o cristianismo e o liberalismo: "O liberalismo representa a fé na humanidade, ao passo que o cristianismo representa a fé em Deus. O primeiro não é sobrenatural, o último é absolutamente sobrenatural. Um é a religião da moralidade pessoal e social, o outro, contudo, é a religião do socorro divino. Enquanto um tropeça sobre a 'rocha de escândalo', o outro defende a singularidade de Jesus Cristo. Um é inimigo da doutrina, ao passo que o outro se gloria nas verdades imutáveis que repousam no próprio caráter e autoridade de Deus".

Muitos, por buscarem aceitação teológica acadêmica, têm-se comprometido fatalmente, pois, na prática, os liberais tentam remover do cristianismo todas as coisas que não podem ser autenticadas pela ciência. Sempre que a ciência contradiz a Bíblia, a ciência é preferida e a Bíblia, desacreditada.

Hoje, a animosidade que demonstram para com a Bíblia tem caracterizado aqueles que creem que ela é literalmente a Palavra de Deus e inerrante (sem erros em seus originais) como "fundamentalistas".1 Ora, podemos por acaso negociar o inegociável?

Os liberais acusam os evangélicos de transformarem a Bíblia em um "papa de papel", ou seja, em um ídolo. Com isso, culpam os evangélicos de bibliolatria.2 Estamos cientes de que tem havido alguns exageros por parte de alguns fundamentalistas evangélicos, mas a verdade é que os "eruditos" liberais têm-se mostrado tão exagerados quanto muitos do que eles denominam de fundamentalistas. Teoricamente falando, a maioria dos liberais acredita em Deus, supondo que Ele pode intervir na história da humanidade, porém, na prática, e com frequência, mostram-se muito mais deístas.3 Normalmente, os liberais também favorecem o "relativismo", ou seja, difundem que no campo da verdade não há absolutos. Segundo este raciocínio, se não há verdades absolutas, então, as verdades da Bíblia (que são absolutas) são relativas, logo, não podem ser a Palavra de Deus. Tendo rejeitado a Bíblia como a infalível Palavra de Deus e aceitado a ideia de que tudo está fluindo, o teólogo liberal afirma que não é segura qualquer ideia permanente a respeito de Deus e da verdade teológica.

Levando o pensamento existencialista às últimas consequências, conclui-se que: se quisermos que a Bíblia tenha algum valor para a modernidade e fale ao homem moderno, temos de criar uma teologia para cada cultura, para cada contexto, onde nenhum ensino é absoluto, mas relativo, variando conforme o contexto sociocultural. Obviamente, tal pensamento possui fundamento em alguns pontos, mas daí ao radicalismo de pregar que nada é absoluto, isso já extrapola e fere diversos princípios bíblicos.

Raízes

O liberalismo teológico começou a florescer de forma sistematizada devido à influência do racionalismo de Descartes e Spinoza, nos séculos 17 e 18, que redundou no iluminismo.4 O liberalismo opunha-se ao racionalismo extremado do iluminismo.

Na verdade, quando a igreja começa a flertar com o liberalismo e se render aos seus interesses, ela perde sua autoridade e deixa de ser embaixadora de Deus. A história tem provado que onde o liberalismo teológico chega a Igreja morre. Este é um aviso solene que deve estar sempre trombeteando em nossos ouvidos.

A baixa crítica

Conforme Gleason L. Archer Jr, "a 'baixa crítica' ou crítica textual se preocupa com a tarefa de restaurar o texto original na base das cópias imperfeitas que chegaram até nós. Procura selecionar as evidências oferecidas pelas variações, ou leituras diferentes, quando há falta de acordo entre os manuscritos sobreviventes, e pela aplicação de um método científico chegar àquilo que era mais provavelmente a expressão exata empregada pelo autor original".5

A alta crítica

J. G. Eichhorn, um racionalista germânico dos fins do século 18, foi o primeiro a aplicar o termo "alta crítica" ao estudo da Bíblia. E, por esse motivo, ele tem sido chamado de "o pai da crítica do Antigo Testamento". Segundo R. N. Champlin, "a 'alta crítica' aponta para o exame crítico da Bíblia, envolvendo qualquer coisa que vá além do próprio texto bíblico, isto é, questões que digam respeito à autoria, à data, à forma de composição, à integridade, à proveniência, às idéias envolvidas, às doutrinas ensinadas, etc. A alta crítica pode ser positiva ou negativa em sua abordagem, ou pode misturar ambos os pontos de vista".6 Mas o que temos visto na prática é que esta forma de crítica tem negado as doutrinas centrais da fé cristã, em nome da ciência, da modernidade e da razão. O que fica evidente é que alguns críticos partem com o intuito de desacreditar a Bíblia, devido a alguns pressupostos naturalistas, chegando ao cúmulo de dizer que a Igreja inventou Jesus.

Conforme Norman Geisler "a alta crítica pode ser dividida em negativa (destrutiva) e positiva (construtiva). A crítica negativa, como o próprio nome sugere, nega a autenticidade de grande parte dos registros bíblicos. Essa abordagem, em geral, emprega uma pressuposição anti-sobrenatural".7

Métodos aplicados a qualquer tipo de literatura passaram a ser aplicados também à Bíblia, com grandes doses de ceticismo (no que diz respeito à validade histórica e à integridade de seus livros), com invenções de entusiastas que tinham pouca base nos fatos históricos. Assim, onde vemos nas narrativas da Bíblia fatos sobrenaturais esta teologia lhes confere interpretações naturais, retirando da Palavra de Deus todas as intervenções miraculosas. Claramente é impróprio, ou mesmo blasfematório, nos colocarmos como juízes sobre a Bíblia.

Penosamente, a "alta crítica" tem empregado uma metodologia faltosa, caindo em alguns pressupostos questionáveis. E, devido aos seus resultados, ultimamente vem sendo descrita como "alta crítica destrutiva". Para melhor compreensão, veja, a seguir, o quadro comparativo:8

Parâmetros / Crítica positiva (construtiva) / Crítica negativa (destrutiva)

Base / Sobrenaturalista / Naturalista

Regra / O texto é "inocente até que prove ser culpado" / O texto é "culpado até que prove ser inocente"

Resultado / A Bíblia é completamente verdadeira / A Bíblia é parcialmente verdadeira

Autoridade final / Palavra de Deus / Mente do homem

Papel da razão / Descobrir a verdade (racionalidade) / Determinar a verdade (racionalismo)

C. S. Lewis, sem dúvida o apologista cristão mais influente do século 20, em seu artigo "A teologia moderna e a crítica da Bíblia", tece os seguintes comentários:

"Em primeiro lugar, o que quer que esses homens possam ser como críticos da Bíblia, desconfio deles como críticos9 [...] Se tal homem chega e diz que alguma coisa, em um dos evangelhos, é lendária ou romântica, então quero saber quantas lendas e romances ele já leu, o quanto está desenvolvido o seu gosto literário para poder detectar lendas e romances, e não quantos anos ele já passou estudando aquele evangelho10 [...] os críticos falam apenas como homens; homens obviamente influenciados pelo espírito da época em que cresceram, espírito esse talvez insuficientemente crítico quanto às suas próprias conclusões11 [...] Os firmes resultados da erudição moderna, na sua tentativa de descobrir por quais motivos algum livro antigo foi escrito, segundo podemos facilmente concluir, só são 'firmes' porque as pessoas que sabiam dos fatos já faleceram, e não podem desdizer o que os críticos asseguram com tanta autoconfiança".12

Prove e veja

Na Universidade de Chicago, Divinity School, em cada ano eles têm o que chamam de "Dia Batista", quando cada aluno deve trazer um prato de comida e ocorre um piquenique no gramado. Nesse dia, a escola sempre convida uma das grandes mentes da literatura no meio educacional teológico para palestrar sobre algum assunto relacionado ao ambiente acadêmico.

Certo ano, o convidado foi Paul Tillich,13 que discursou, durante duas horas e meia, no intuito de provar que a ressurreição de Jesus era falsa. Questionou estudiosos e livros e concluiu que, a partir do momento que não haviam provas históricas da ressurreição, a tradição religiosa da igreja caía por terra, porque estava baseada num relacionamento com um Jesus que, de fato, segundo ele, nunca havia ressurgido literalmente dos mortos.

Ao concluir sua teoria, Tillich perguntou à plateia se havia alguma pergunta, algum questionamento. Depois de uns trinta segundos, um senhor negro, de cabelos brancos, se levantou no fundo do auditório: "Dr Tillich, eu tenho uma pergunta, ele disse, enquanto todos os olhos se voltavam para ele. Colocou a mão na sua sacola, pegou uma maçã e começou a comer... Dr Tillich... crunch, munch... minha pergunta é muito simples... crunch, munch... Eu nunca li tantos livros como o senhor leu... crunch, munch... e também não posso recitar as Escrituras no original grego... crunch, munch... Não sei nada sobre Niebuhr e Heidegger... crunch, munch... [e ele acabou de comer a maçã] Mas tudo o que eu gostaria de saber é: Essa maçã que eu acabei de comer... estava doce ou azeda?

"Tillich parou por um momento e respondeu com todo o estilo de um estudioso: 'Eu não tenho possibilidades de responder essa questão, pois não provei a sua maçã'.

"O senhor de cabelos brancos jogou o que restou da maçã dentro do saco de papel, olhou para o Dr. Tillich e disse calmamente: 'O senhor também nunca provou do meu Jesus, e como ousa afirmar o que está dizendo?". Nesse momento, mais de mil estudantes que estavam participando do evento não puderam se conter. O auditório se ergueu em aplausos. Dr. Tillich agradeceu a plateia e, rapidamente, deixou o palco".

É essa a diferença!

É fundamental considerar que tudo o que engloba a fé genuinamente cristã está amparado em um relacionamento experimental (prático) com Deus. Sem esse pré-requisito, ninguém pode seriamente afirmar ser um cristão. Seria muito bom se os críticos se atrevessem a experimentar este relacionamento antes de tecerem suas conjeturas. Se assim fosse, certamente se lhes abriria um novo horizonte para suas proposições e, quem sabe, entenderiam que o sobrenatural não é uma brecha da lei natural, mas, sim, uma revelação da lei espiritual.

Notas de referência:

1 O fundamentalismo foi um movimento surgido nos Estados Unidos durante e imediatamente após a 1ª Guerra Mundial, a fim de reafirmar o cristianismo protestante ortodoxo e defendê-lo contra os desafios da teologia liberal, da alta crítica alemã, do darwinismo e de outros pensamentos considerados danosos para o cristianismo.

2 Adoração à Bíblia.

3 Segundo a comparação clássica entre Deus e o fabricante de um relógio, Deus, no princípio, deu corda ao relógio do mundo de uma vez para sempre, de modo que ele agora continua com a história mundial sem a necessidade de envolvimento da parte de Deus.

4 O Iluminismo enfatizava a razão e a independência e promovia uma desconfiança acentuada da autoridade. A verdade deveria ser obtida por meio da razão, observação e experiência. O movimento foi dominado pelo anti-sobrenaturalismo e pelo pluralismo religioso.

5 ARCHER, Gleason L. Merece confiança o Antigo Testamento? Edições Vida Nova, p.54.

6 CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol 1. Candeia, p. 122.

7 GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Editora Vida, p.113.

8 Ibid. p. 116.

9 MCDOWELL, Josh. Evidência que exige um veredicto. Vol 2. Editora Candeia, p.522.

10 Ibid., p.526.

11 Ibid., p.526.

12 Ibid., p.528.

13 Paul Tillich nasceu em 20 de agosto de 1886, em Starzeddel, na Prússia Oriental, perto de Guben. Foi um teólogo-filósofo e representante do existencialismo religioso.